Corria o ano 72 quando pela primeira vez decidi atravessar a fronteira. O destino escolhido foi Londres ( inevitável...) e a decisão foi encorajada pelos amigos, à época todos mais ou menos propensos a estas pequenas/grandes excitações.
Nem sempre estes encorajamentos eram inocentes, pois logo começaram a chegar as listas (enormes) com os mais inusitados pedidos.
Entre elas um pequeno papelinho com um nome muito esquisito. Nada de especial, apenas um disco que não existia em Portugal. Não liguei muita importância, primeiro porque não iria encontrar uma loja de discos, segundo porque mesmo que a encontrasse, dificil seria encontrar aquele nome...
Suspeita nada infundada, já que encontrar o caminho para uma casa desconhecida, numa cidade desconhecida, sem fundo de maneio para taxis e afins, se revelou uma tarefa deveras complicada.
Mas a verdade é que nestas atribuladas deambulações, encontrei mesmo uma pequena loja de discos.
Vinis com capas lindas e brilhantes, muito arrumadinhos, na montra!
Lembrei-me do meu amigo. Entrei e resolvi mostrar o meu papelinho.
O rapaz mal olhou.
Fez um sorriso discreto, foi a uma das caixinhas (sim, eram mesmo caixinhas) e tirou um disco com o tal esquisito nome e muitos passarinhos.
O meu amigo ficou muito feliz.
Foi o meu primeiro encontro com Ravi Shankar.