
Em cada primavera retomo a conversa com a natureza e com o jovem crucificado por quem tenho um carinho especial (não vou explicar mas lembro que a palavra "carinho" pode ter um significado diferente do que estão a pensar...se é que estão!)
Este ano outra vez falamos de amor.
Falamos da injustiça da morte, da revolta que sentimos sempre que alguém precioso nos é tirado e de como o aparecimento das primeiras flores abre caminhos de lágrimas até à memória que a saudade teima em guardar.
Falámos de filhos e filhas abandonados, de pais ausentes nas horas mais trágicas e pilatos que lavam as mãos a cada hora.
Precisamente, d. josé lavou as mãos, muitos outros também!
Ele não gostou...e gritou!
Eu também...desta vez estivemos de acordo: é melhor gritar que murmurar.
Sou solidária com quem acredita que a dignidade não se compadece com murmurações.