quarta-feira, 22 de abril de 2020

Tempo

Parece ontem.
Tempo de repensar o que tinha como certo, e recolocar os afectos, os sentimentos, os amores.
O desencontro apareceu ao virar da esquina. Ruíram alguns (supostos) afectos nem por isso tão inesperados.
No jogo de xadrez caíram reis e rainhas de marfim, alguns cavaleiros de suposta reputação e peões de brega de outras lides, ou seja "humanos".
Muitos saíram por onde entraram, outros saíram com algumas dores...
Acertemos o passo com o tempo.
Um ano chegou para pôr tudo e todos em questão. Quatro meses mostrou que não se mudam as personalidades dominadoras, não se mudam arrogâncias e raivas, mas muda o olhar com que os reconhecemos.
Mais próximos das raízes que fizeram nascer flores onde estão galhos espetados de ponta em riste.
Nada ganharam, são apenas mortais arrastados por um dilúvio de caixões, pedindo a deus e às alminhas por suas vidinhas pomposas, rastejantes, aproveitadoras das migalhas do mundo (outro) pela certa, que os tratou como inúteis tal e qual como aos seus irmãos igualmente mortais, igualmente humanos.
Ninguém lhes paga o rastejo, infelizes!
Sigamos, por aí não vou.
Fico-me por entre serras e penhascos, flores e gente a quem damos os bons dias todas as manhãs sem exigir um salamaleque em troca.
Gente de verdade que ama.
Que dá, que não se vende a si e aos outros, que ama as suas chaminés, os seus portais, a sua vida!
Boa noite.
Cada dia que nasce é um novo sol.
Cada anoitecer é um mistério.