quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Memórias revisitadas








Uma sexta-feira soalheira foi o enquadramento perfeito para revisitar a nossas memórias, a oriente e a ocidente.
Primeiro essa pérola que é o M. de Macau.
Um entreposto de comunicação, onde até o mar a bater no casco das naus é possível ouvir...
Sem saber bem como, passamos de espectadores a participantes e, pelo que vi nos olhos os meus companheiros, gostaram mesmo.
Os mapas, os livros e os objectos vão rapidamente trazer-nos os ecos dessa aventura nos mares da China e do Japão.
Uma grande viagem da nossa imaginação.
Depois o M. N. de Arqueologia.
Retrocedemos 'miles' de anos na história do homem, para buscar outras raízes (ou serão as mesmas?) às pedras, ao ouro, celtas, egípcios e lusitanos.
Nunca deixaremos de sonhar?
Deixamos sim senhor.
Por aquele labirinto de escadarias e corredores, naquela maravilhosa sala com uma tão mais maravilhosa janela virada ao Tejo, deixamos de sonhar, em cada rombo na parede e em cada buraco nos tectos.
Não há instituto com muitos PPP's e muitos AAA's, ministros e governos que tenham vergonha e respeito pela Cultura e pelos Cidadãos deste País.
E isto é Lisboa.
Em Beja, Vidigueira, Escoural, etc., o Património está fechado...mas não é para obras.
Não acreditam?
Venham ver, amigos.
Parece que não há dinheiro...
Não vos apetece mesmo emigrar desta West Coast?



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Aqui e Agora

Esta semana, ouvi a palavra "desalojados" aplicada aos portugueses vítimas das inundações.
Pensei em Aceh, Moçambique, New Orleans, Somália.
Pensei nos desalojados do Mundo.
A comparação é possível e pertinente.

Não é a escala que importa.
O que importa é o "não ser".
O não viver.
O não sorrir.
Há momentos em que só o mais profundo silêncio e a mais intensa beleza cumprem o milagre de nos manter vivos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Os outros


Ontem pela manhã mais uma folha se despegou deste ramo.
Não porque seja Outono. Apenas se foi, levada pela chuva.
Na árvore ficaram as outras.
Quietas.
Sussurantes.
Solidárias.
E eu que queria escrever sobre outras coisas não resisto a deixar aqui, hoje, este apontamento.
Nesta árvore, que é a minha pequena comunidade rural, ainda acontecem momentos únicos.
Ficámos todos tão mais humanos!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Ao Sul e ao Vento




Este castelo foi meu guia e aconchego.
À sua sombra brinquei, sonhei e vivi muitas emoções de criança e de adolescente (boas e más, a seu tempo).
Nas noites de verão aprendi a ouvir, com o coração, o cante sincopado pelas ruas.
As noites de inverno ensinaram-me o piar das corujas no alto da torre.
Das ameias contemplei os campos de trigo maduro e, sempre que tocava a fogo, o meu coração chorava pelas searas desaparecidas.
Passeando pelos campos aprendi a conhecer as borboletas, os passarinhos e as flores, os malmequeres e as papoillas.

Ficou-me a paixão do alentejo.
Ficou-me na alma a minha princesa, o sofrimento do meu povo e o gosto dos horizontes sem limite.

Foi um amor para toda a vida.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Carnaval


As máscaras vão recolher aos baús, mas não esconderemos a fantasia, a luz, a côr, a música e as sombras de Veneza.

Os amores vivem-se na beleza daquilo que os nossos olhos alcançam e a nossa memória consegue guardar.

Este meu amor foi muito intenso.