" Quando, com razão ou sem, Sobre o medo amplo da alma a sombra da morte vem, É que o espírito vê bem, Com clareza mas sem calma, Que sombra é a vida que passa, Que mágoa é a vida que cessa, E ama a vida mais."
Assim escreveu Fernando Pessoa em 10 de Fevereiro de 1933. 12o anos depois, quantos é que já perceberam isto?
Na caixinha da memória individual confirmamos que a terra gira, apesar de tudo e de todos. Passado aquele momento, nada mais será o que foi. A fotografia dos idos 50 sugere-nos que nem a menina voltará a ser menina nem a cidade voltará a ser o que foi. Resta-nos então aquilo a que Michel Meslin chama "a dimensão colectiva da memória". Nela cabem as pedras do templo e os homens, que a gosto e contragosto de muitos, construiram outros templos e perpetuam a memória de outros meninos. Neste dia especial uma homenagem ao José Adelino e ao Xico Pinto. Para o amor e para o ódio eles marcaram e marcam, ainda hoje, uma geração.