terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Imagens de fim de ano

Honestamente detesto os tradicionais balanços e discursos de fim de ano. Os de televisão são particularmente irritantes e este ano recuso-me a encalhar nos sucessos dos banqueiros e outros meninos de oiro. Não gosto de sms's, gravatinhas a condizer nem do "azulinho" do magalhães...!

Apesar disso algumas linhas trouxeram-me imagens, sons, cheiros, saudades e pessoas.
Lembraram-me:
O sabor a maçã do António Alçada Baptista;
As imagens do genocídio no Rwanda;
As saudades de Vinicius, Luis Borges e Cardoso Pires;
O "farfalhar" dos papelinhos de rebuçados tirados das malinhas de cerimónia em noite de concerto e a D. Catarina da Livraria Buchholz.

Acontece que estas lojas me provocam o "efeito Harry Potter" e ainda hoje tenho também uma relação de guerrilha institucional com a lógica daquelas arrumações.
Vasculhava eu uma gravação recente da "Casta Diva" pela Maria Callas, quando D. Catarina me gritou pelas costas.
"Não mexe nos discos!"
Apesar de avisada com antecedência por amigo cuidadoso, apanhei um valente susto.
Susto que me valeu depois uma imensa condescendência!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A força das palavras

"WAR WITH NO MERCY".
Por favor escondam as crianças!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Jóias I



É demasiado romântico?
Está fora de moda?
Não é uma peça genial?
Eu gosto.

Jóias



Até ver, este terá sido o último dia de calor do ano.
Novembro/25
Água, floresta e sol, jóias que sempre inspiram os sentidos de quem está atento...

domingo, 23 de novembro de 2008

Pink Floyd - Money

The wall



Isto é o que eu penso deste início de século:
Uma porta entreaberta.
Mentes fechadas com aldrabas.
É preciso entrar!
Urgentemente...





domingo, 16 de novembro de 2008

G20

Para lá deste mar, um presidente moribundo convidou outros (mais ou menos moribundos, com diferentes graus de inteligência e uma enorme arrogância) para uma discreta chávena de chá enquanto reflectiam e acordavam...não sei o quê.
Sei que não falaram da Etiópia, não falaram da Birmânia, nem da RD.Congo.
Claro.
É má educação falar da vida dos vizinhos!
Não falaram de massacres, de genocídios, de fome, de desalojados, de pinguins, de saúde, de cultura e, muito menos do planeta terra.
Claro.
Para isso são precisos grupos de "experts"!
Não falaram de direiros humanos, de execuções sumárias, de fossas e valas comuns, de atropelos e discriminações de toda a côr e feitio.
Claro.
É de mau gosto falar de coisas tristes diante de pessoas doentes!
Suspeito que o chá não era chá...
Suspeito que o assunto em reflexão tenha sido mais ou menos este:
Quem é que tem dinheiro para pôr na roleta?
Suspeito que a parada era alta.
Suspeito que o dono do Casino já tinha os olhos em bico.
Suspeito que o Zé Manel distribuiu ums curriculums para o lugar de "manager".
Suspeito, suspeito, suspeito.
Suspeito que os salvadores e os salvados, se não dormiram todos juntos, pelo menos voltaram a tomar um cházinho no regresso às suas pobres casinhas.
Tenho a certeza que estão felizes!

sábado, 1 de novembro de 2008

The Globe - A reconstrução

A meio da obra já se anunciava a beleza que viria a ter!
Ficou lindo!
Daí que perder o espectáculo anunciado para esse fim de tarde era uma carta fora do baralho...
Sábado de manhã bilhetes na mão não fosse o diabo tecê-las (neste caso o diabo encaminhara muitos turistas japoneses para as bilheteiras) rumamos a Portobello Road.
Claro.
Não fazia sentido ver Shakespeare sem as vestimentas próprias...o programa aguçara o apetite para assistência caprichada na reconstituição da época.
Uma criativa e bem saborosa loucura...

Pelas 4:00 da tarde as núvens começam a prometer um bom espectáculo, às 4:30 atravessamos Tamisa sob um pequeno chuvisco.
Optamos por ficar na arena junto ao palco.
Às 5:00, teatro cheio, começa a representação acompanhada com um valente "shower" que abafou vozes, música, guarda-roupa e palco.
Capas de plástico foram distribuídas aos presentes encharcados até aos ossos e o espectáculo continuou.
Não havia chuva que fizesse calar os actores nem afastar o público.
Para captar o espírito vejam "A paixão de Shakespeare" outra vez.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Deuses em fúria?

Olho, tento escrever e...não encontro as palavras.
Uma "branca" que já dura há 15 minutos.
Paciência.
Deve ser isto que o pintor sente diante da tela vazia, o escritor perante a página virgem, o músico antes de escrever a pauta.
Desesperante. Felizmente não sou artista.
Posso olhar sem palavras!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Palmira Bastos


Quase que não sabia o que era "Teatro".
Nunca tinha entrado num teatro de verdade. Só vira salas onde se exibia "cinema".
Por razões que não são chamadas ao caso, ainda gaiata, me levaram (pela porta do cavalo...) ao Teatro Avenida.
Lembro-me do "foyer", das damas e senhores elegantes, do veludo das cadeiras e do palco onde uma grande senhora vestida de negro dizia batendo com a bengala no chão "...as árvores morrem de pé".
Vejo-a como de fosse hoje. O Avenida ardeu uns anos depois diante dos meus olhos.
Talvez por isso nunca mais deixei de ir ao teatro, mesmo que isso implicasse horas na rua para entrar ou horas de representação sentada num caixote com os joelhos do parceiro a empurrar-me pela escada abaixo.
Palmira Bastos, um encanto.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Violência, tolerância e ditaduras - Parte I


Parte I
Tomar o café na mesma casa, atravessar a mesma ponte, percorrer o Memorial de Caen e fazer as rotas do desembarque.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Um Ano

É muito bom chegar ao fim de um ano de amores e encontros.
Os amigos que ajudaram as águas deste rio a encontrar o caminho, foram a melhor recompensa.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Lua feiticeira!


Alguma dúvida?
É claro que a Lua é mágica!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pavarotti - Nessun Dorma

A Luciano

Porque os amores são para sempre.

Espiritualidades

-Maria Albertina como é que foste nessa de chamar Vanessa à tua menina...
Os nomes das coisas e neste caso das pessoas, não podem (ou não deviam) ser obra do acaso e das preferências de terceiros.
Escolher um nome pode ser o primeiro atentado assumido e legalizado à liberdade e ao bom gosto de quem o recebe.
O nome é coisa importante na nossa vida?
Na realidade nada se alterará em função do nome que nos dão, mas, no mínimo só devia ser escolhido depois do contacto físico e afectivo que permite ver em vez de olhar e sentir em vez de tocar.
Não terá sido este o caso de excepção, mas podia ter sido uma inspiração...
Na Argentina nasce um bébé.
Nas cataratas do Iguaçu a água entoa um qualquer 'Stabat Mater'.
Te llamaré: "Angel Di María".

Angel Di María é um nome com uma poderosa musicalidade.

Será que ele a sente?

Pronto, aceito que não estou a regular bem! Deve ser do coro dos anjos...

domingo, 31 de agosto de 2008

Convite à Valsa

Este último dia de Agosto, começou com uma neblina cerrada, bem convidativa à 'Valsa Triste'.
O convite não é descabido, já que aqui me confessei incondicional de Sibelius!
O filme que vos deixo, não se esgota na tristeza nem, tão pouco, na beleza do felino...
Pela tarde, da neblina se fez sol e esperança.
Esperança (encontro eu) no sonho que nos conforta, nas memórias que teimamos em ressuscitar, na capacidade de sobreviver no presente amando com força o passado.
Com esta carga afectiva atravessamos a ponte que nos leva ao futuro, seja lá isso o que seja!
É bom saber que nada do que passou nos foi tirado, que amanhã teremos, de novo, o cadeirão para sonhar com o pratinho que nos consola e a mão que nos afaga.
Mas que dói...dói...e muito!
Allegro ma non troppo!

Allegro Non Troppo - Valse Triste

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Agosto


Vai louco este Agosto!
Entre chuva, sol e vento parece querer desencadear desejos de mudança.
A lua cheia não tarda, mas mudar continua a ser um sonho de rio que não chega ao mar.
De pássaro que não levanta voo, contínua angústia de "não ser".
Vai frustrante este Agosto!

sábado, 9 de agosto de 2008

O Schlegeis


Jardim de luz, água e gelo.
Se um dia o "Schlegeis" derreter teremos boas razões para não dormir.
Para já, apenas nos preocupa a logística e a balística...e os últimos dias têm sido fartos em histerias e frustrações, como se alguns homens estivessem à beira de um ataque de nervos.
O Almodovar não faria melhor...
Uma tempestade de medalhas, assaltos, escudos invisíveis e soldadinhos de chumbo.
O locutor de serviço na Geórgia informa que os russos ainda não retiraram apesar de já ter passado uma hora sobre o horário previsto...
Presumo que não estavam sincronizados com os relógios dos JO.
Pela parte que me toca:
- Não gosto do jornalismo que se faz em Portugal;
- Não gosto de ver polícias especiais a atirar sobre civis, em Portugal ou na Colômbia;
- Não gosto de militares no poder, seja na Birmânia ou no Alaska;
- Não gosto de escudos, sejam humanos ou de mísseis.
Podem acreditar que não me vendem o produto, mesmo pagando a taxa...
Se puderem, caros amigos, leiam as peças dos Jornalistas (com letra grande, porque sim!) Carlos Santos Pereira no DN e Batista Bastos no Jornal de Negócios.
Quem é que falou em negócio de armas?
No intervalo sonhem com o "Schlegeis"...
Boas férias.

domingo, 3 de agosto de 2008

As fadas

Não sei bem precisar onde e quando começou este processo (tanto mais que as histórias da Gata Borralheira, da Branca de Neve e tantas outras são muito anteriores à minha infância).
Os dragões, anéis e elfos vieram dar outros alentos ao nosso imaginário, mas na verdade podemos dizer que nos mantivemos fiéis às nossas "fadas-madrinhas".
Se abrirem bem os vossos olhos e a fantasia não vos falhar verão sair da carruagem (ainda que um pouco amarrotada pelas tempestades), as fadas madrinhas dos nossos meninos e meninas de oiro.
Só tenho receio que de tão abruptamente ocupadas se esqueçam de acompanhar os outros meninos e meninas que não são de oiro...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Um dia vou voltar




Se tudo o que sonhamos se realizasse um dia, eu gostava de ter vivido os dias do apogeu do Califado de Córdova.
Não me perguntem porquê, não saberia responder.
Loucuras!!!
Há poucos anos a Medinat Al-Zahara estava em bom ritmo de reconstrução e a Mesquita faz também parte desse sonho imaginário que tenho desde sempre.
Entretanto e sem qualquer glória, à época a opção era filmar tudo o que se via com uma pesada câmara...hoje totalmente obsoleta.
Se por um lado posso sempre voltar ao que me encantou, por outro a ausência do digital transforma este prazer de "mostrar" num exercício frustrante.
Pouco material disponível.
Por isso mesmo, vou voltar um dia aos locais que amei.
Este é um deles.
Se ainda houver Mesquita para ver...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um dia em Amsterdam na companhia de Rembrandt.
Um dia no Porto de Amsterdam na companhia de Brel.
Dois encontros que não esquecemos por entre a frescura dos canais.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Pela Estrada


Perdoamos mentira, traição, maldade, arrogância, vaidade, erro e ignorância.
A única coisa que nenhum homem perdoa a outro homem é a opção de ser livre.
O direito de viver como, onde e com quem na sua viagem pela estrada da vida.
Como, onde e porquê pecorrerá a estrada da morte.
Quase em desespero procuram-se as formas, os medos, os caminhos do controlo da liberdade individual.
Até onde?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Aniversário - 13 de Junho de 1888

" Quando, com razão ou sem,
Sobre o medo amplo da alma a sombra da morte vem,
É que o espírito vê bem,
Com clareza mas sem calma,
Que sombra é a vida que passa,
Que mágoa é a vida que cessa,
E ama a vida mais."

Assim escreveu Fernando Pessoa em 10 de Fevereiro de 1933.

12o anos depois, quantos é que já perceberam isto?

terça-feira, 10 de junho de 2008

What else?



Depois da gasolina e de tudo o mais, o ordenado falhou pelo segundo mês consecutivo.
O outro confunde-nos com camelos, o presidente aplica-nos a etiqueta canina.
Resta-nos a alternativa revolução (???), suicídio (safa...), a emigração (uma opção difícil!!!) ou uma oportuna licença sabática.
Para onde?
Começo por dar uma espreitadela (não sou fã) ao Euro e a seguir rumo ao Lago Como. Não é uma maravilha?
Qual é o espanto?
Os bancos fazem 'cash advance', né?
Nespresso of course!
What else?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Memórias

Na caixinha da memória individual confirmamos que a terra gira, apesar de tudo e de todos.
Passado aquele momento, nada mais será o que foi.
A fotografia dos idos 50 sugere-nos que nem a menina voltará a ser menina nem a cidade voltará a ser o que foi.
Resta-nos então aquilo a que Michel Meslin chama "a dimensão colectiva da memória".
Nela cabem as pedras do templo e os homens, que a gosto e contragosto de muitos, construiram outros templos e perpetuam a memória de outros meninos.
Neste dia especial uma homenagem ao José Adelino e ao Xico Pinto.
Para o amor e para o ódio eles marcaram e marcam, ainda hoje, uma geração.


segunda-feira, 26 de maio de 2008

MY FUNNY VALENTINE-----CHRIS BOTTI

Amanhecer



"Basta de estrelas
e de nuvens
e de pássaros
falemos antes de gaiolas
que é tempo de conquistar o céu"
António Ramos Rosa
Não sei se o Ramos Rosa conquistou o céu, mas sei que o meu tem que ter núvens e estrelas, que eu e os meus pássaros não suportaríamos uma gaiola.
O meu céu fica já ali, na linha do horizonte, só precisamos voar...

domingo, 11 de maio de 2008

Coincidências!

Afinal, muito provavelmente, eu estava a exagerar o problema da conta "ronalda"...
Coincidência ou não, a verdade é que ainda não tenho o ordenado do mês!!!
Eu e quantos mais?
Terá sido engano?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Poupança?


A invasão sistemática do espaço público pela mensagem publicitária (seja de que tipo fôr) é um incómodo que suportamos todos os dias.
Às vezes ignoramos, outras sorrimos, outras nem por isso!!!
Mas há sempre um dia em que nem toda a boa vontade de um santo chega para suportar a praga.
Confesso que hoje não atingi a santidade: na caixa do correio, entre as contas para pagar (o que já não dá boa disposição a ninguém) tinha esta mensagem:

Quer uma conta sempre a crescer como a do Cristiano Ronaldo?
Quer uma viagem de avião para ir apoiar a Selecção à Suiça?
Quer uma bola autografada pelo Génio da Bola?

Então, já que a mensagem se tornou privada, já que a mensagem é cretina (se calhar por isso até funciona), eu quero responder:
Não quero uma conta como a do Ronaldo.
Quero um futuro decente para todos os jovens do meu País.
Não quero um bilhete de avião para ir à Suiça.
Quero o dinheiro de muitos bilhetes para dar uma vida digna aos portugueses.
Não quero uma bola autografada.
Quero o valor de muitas bolas de futebol para construir um país solidário.
Um país onde as reformas não sejam uma miséria,
Onde o salátio mínimo não seja uma miséria,
Onde o salário "não mínimo" não seja uma miséria,
Onde o desemprego, a saúde, a educação, a cultura etc., não seja moeda de troca para nenhum 'negóciozito'.

E já nem estou a pedir a casa com piscina que me prometeram há 34 anos!
Decididamente, eu hoje estou mal disposta.
Que me desculpem os amigos, mas eu costumo dizer que sou alentejana, mas não sou estúpida!
Haja decência!!!

sábado, 26 de abril de 2008

25 SEMPRE







Foi assim que 34 anos passados, no dia 24, o sol nasceu maravilhoso como que dizendo: "Gostava de estar na tua festa, pá!".
E nós respondemos: "Volta sempre, pá!"
Volta sempre pelos que estão, pelos que já estiveram e pelos que ainda não sabem que chegaram.
Volta pelo Zeca, pelo Chico, pelo Adriano, pelo Ary, pela Sofia, pelo Fanhais e por todos nós, enquanto a terra fôr terra, enquanto a poesia fôr um imperativo de Abril.
E o sol ficou todo o dia, a lua deu-nos as canções, depois entre sorrisos e lágrimas, como meninos (e com a meninada) vimos a banda passar!
Pela tarde cantámos.
A minha gente ficou bonita, pá!